Enquanto caminhava pela
longa ponte acima do lago, Helena mantinha a cabeça cabisbaixa e se concentrava
nas velhas madeiras sob seus pés. A ponte, judiada pelos anos, rangia alto sob
cada passo. Apesar de sua aparência frágil, a ponte resistia, enquanto Helena
caminhava pelo enorme lago.
O
vento de Outono batia nas árvores que circundavam o lago, e o burburinho das
folhas chiava nos ouvidos de Helena. Enquanto o vento ululava por seu velho
vestido de algodão, Helena sentia esse mesmo vento gélido bater em seu rosto e,
apesar do frio que sentia, estava feliz por estar ali.
Conforme ia avançado pela ponte, o centro do grande lago
ia se aproximando, e com ele, a sensação de estar ilhada por uma imensidão
negra. O vento, agora, batia feroz na folhagem à volta, e a sensação de estar cercada
por uma multidão à espreita a invadiu. Sacudindo levemente a cabeça para
afastar esses pensamentos, ela continuou sua caminhada.
A paisagem em volta era bela, um colírio para seus olhos
cansados. O imenso lago em que se encontrava era cercado por altas árvores,
nogueiras cheias de folhas douradas. Uma neblina suave, corriqueira do Outono,
pairava sobre o lago e o cenário transmitia uma sensação de momento, de lugar
certo.
Enfim, Helena chegou ao fim da ponte. Ela acabava
abruptamente em meio ao lago, como se alguém tivesse se esquecido de
termina-la. No final da ponte, Helena parou e olhou a sua volta, para a bela
imagem que se formava. Voltou seu olhar para o imenso lago a sua frente e
lembrou o quanto sonhava, ao crescer, em aprender a nadar, mas nunca aconteceu.
Sorriu ao pensar na mãe, sempre lhe dizendo sobre os perigos da água.
O
vento bateu novamente em seu rosto, ela fechou os olhos e afastou a imagem da
mãe da mente. Pensou em respirar fundo, mas se deteve, afinal esse não era o
objetivo. Então, pulou nas águas geladas.
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